Ivonei Oscar da Silva é natural de Francisco Beltrão, tem 46 anos, é casado, tem uma filha de 13 anos e é Delegado Chefe da 5ª Subdivisão Policial de Pato Branco. Ingressou na Polícia Civil do Paraná em 1994 e já trabalhou nas delegacias de Realeza, Capanema, Alto Piquiri, Pato Branco, Carlópolis e Francisco Beltrão.

Doutor fale-me um pouco sobre seu ingresso na Polícia Civil?
Somente depois que fui lotado na primeira delegacia de polícia é que pude ver a precariedade das estruturas e a carência de pessoal. Minha primeira delegacia foi na cidade de Realeza e na época não tínhamos investigadores, sendo somente eu e um escrivão de polícia, para além dos serviços inerentes à polícia judiciária, fazer a guarda e escolta de mais de 40 (quarenta presos).

Qual a visão que o senhor tem sobre a responsabilidade da família (dos pais) sobre pessoas envolvidas em crimes, como por exemplo, o tráfico de drogas, que muitas vezes desencadeia muitos outros delitos?
Acredito que a sociedade civilizada tem diversos freios repressores e o primeiro é a família, a quem cabe educar e repassar princípios morais e de convivência social. Outro é a Religião, com seus dogmas e princípios que indicam que a pessoa deve ter retidão nas suas condutas e finalmente quando todos falharem temos o Direito Penal, que é exclusivamente repressor.

O Delegado Chefe da DPI visa a implementação de um Plano de Gestão Estratégica nas delegacias do interior. Como o conceito de estratégia está relacionado diretamente com visão de futuro, o que o senhor pode nos dizer, sobre os planos para o futuro na Subdivisão de Pato Branco e demais subordinadas?
Quando entrei na polícia diziam que nós éramos o futuro da instituição e esse futuro chegou e não mudamos muita coisa. Acredito piamente que pela sinceridade e simplicidade do Plano de Gestão Estratégica formulado pela DPI, é possível implementarmos mudanças dentro das condições humanas e materiais que possuímos.

Na visão do senhor, qual a relação entre a Polícia Civil de Pato Branco e a população?
De muito respeito com todos os cidadãos e eles sabem que podem contar com uma polícia honesta, empenhada na solução dos crimes e na com vontade de interagir com a sociedade.

Qual avaliação o senhor faz sobre o empenho e o compromisso da equipe de policiais desta Subdivisão?
Faço uma avaliação excelente, pois conseguimos solucionar mais de 80% dos homicídios que ocorrem na região, além de possuírmos cartórios equilibrados, sem inquéritos entulhados pelas gavetas e há mais de 10 (dez) anos não temos uma fuga ou rebelião de presos na sede e, apesar do setor de carceragem possuir 170 presos, também não existe telefone celular no interior da cadeia.

Durante o tempo em que o senhor atua como policial, houve alguma situação em que o senhor ou sua equipe tenham “falhado” durante os trabalhos? Porque isso ocorreu e o que faria diferente hoje?
Falhas e erros cometemos todos os dias, pois como humanos somos falhos, mas não me recordo de nenhum erro ou falha que não puderam ser corrigidos, pois nosso dever é a busca da verdade real.

Tentando compreender o impacto da atividade policial em sua vida familiar e em sua saúde, diante do fato do trabalho policial ser altamente desgastante, estressante e perigoso, o senhor acredita ser possível exercer a atividade policial e viver de forma prazerosa, tranqüila e segura? De que forma isso é possível?
Faço o que gosto e o que amo, servir aos outros de forma digna e impoluta é mais que um dever policial, é um dever social. Trabalhar como policial, como pesquisador do crime apesar das tragédias humanas que ele envolve é algo que me dá muita satisfação, pois as vítimas merecem que seus algozes sejam descobertos e punidos.

Em sua opinião, de que forma o delegado de polícia pode contribuir para enfrentar as dificuldades encontradas atualmente em uma delegacia de Polícia?
Muita criatividade, muita criatividade mesmo e grandes doses de improviso.

A visão que o senhor tinha da Polícia civil antes de ingressar em seu quadro funcional, mudou nos dias atuais? Mudou em que?
A polícia mudou muito nos últimos anos e por incrível que pareça a vejo como uma polícia mais honesta e respeitadora dos direitos humanos.

O que mais te satisfaz em sua profissão?
A solução do crime.

Quais são as principais atribuições de um delegado de polícia?
São tantas. Vejo os delegados como uma espécie de alquimista que deve saber de tudo um pouco. Deve ser jurista, administrador, médico, psicólogo, educador, religioso, filósofo, químico, físico, arquiteto, engenheiro etc., etc., e etc.

Existem grandes diferenças nos trabalhos desenvolvidos pelos policiais na Capital e nas cidades do interior do Estado?
O policial do interior interage e vive mais próximo da sociedade na qual trabalha e isso o torna mais compromissado para as atividades policiais.

Qual a análise que o senhor pode fazer sobre a Segurança Pública no Estado do Paraná?
É boa, mas com muita criatividade podemos melhorar cada vez mais, sem despender grandes investimentos.

Qual o caso de maior repercussão atendido pela Polícia Civil de Pato Branco durante o tempo em que o senhor está à frente da Subdivisão?
São dezenas, pois devemos considerar todos os crimes importantes e que devemos nos dedicar para solucionar, pois o crime causa um grande trauma na vítima, quer material, físico ou psicológico. Mas vamos a alguns de repercussão como no caso da morte de um jovem casal em Coronel Domingos Soares, cujo autor foi um irmão bastardo do rapaz. Caso do estupro de um menino que vendia bombons na cidade de Pato Branco e do estupro de uma criança de dois anos. Caso da morte dos policiais militares de Honório Serpa onde policiais civis prenderam os três autores depois de um longo cerco feito pela polícia militar, sem disparar um único tiro.

O senhor acredita em vocação policial?
Acredito, porém só vocação não faz um profissional. Ele precisa ser formado e estar diuturnamente atualizado com novas técnicas de investigação.

Sobre o aumento da criminalidade entre os adolescentes e o debate sobre a redução da maioridade penal, o que o senhor pode dizer a respeito?
É um debate bastante delicado, mas acredito que bastaria aumentar o prazo de internamento dos adolescentes que cometessem crimes graves, como homicídio, latrocínio, roubo, tráfico, estupro e outros.

O senhor poderia deixar uma mensagem aos policiais civis do Paraná?
Honra, honestidade e muita inspiração e transpiração. (fonte: noticias policiais)