Gilmar Reolon, 48, está detido no Complexo Médico Penal do Paraná (CMP), em Piraquara, na região metropolitana de Curitiba, desde o dia 12 de agosto, quando foi levado da Penitenciária Estadual de Francisco Beltrão para exame de sanidade mental. Ele é réu confesso da morte do pai Otávio Reolon (65), da esposa Gema (41), dos filhos Gian Lucas (9) e Gissele (14), da sogra Petronília Casanova (84) e da adolescente Indiamara Pereira dos Santos (13). Reolon está preso desde o dia 11 de janeiro, quando foi capturado no meio do mato, na comunidade do Rio Tuna, pelo próprio irmão Idemar Reolon e pelo policial militar Gilmar de Oliveira. Reolon passou três anos escondido no mato, vivendo de forma primitiva, e só foi descoberto porque levantou suspeitas ao abater cabeças de gado nas propriedades vizinhas para se alimentar.
O exame de Reolon, com um médico psiquiatra e uma assistente social, estava agendado para o dia 13 de agosto, mas o laudo ainda não foi remetido para a Comarca de Francisco Beltrão. Ele ainda não retornou porque depende da movimentação de outros presos para pegar "carona" e voltar para a PEFB. O advogado de defesa (que foi nomeado defensor dativo) Gilberto Carlos Richthcik afirma que o resultado do exame será decisivo para dar continuidade ao processo.
Se o laudo do médico psiquiatra apontar que os crimes cometidos por Gilmar Reolon foram decorrentes de algum distúrbio mental, o réu poderá se livrar do júri popular. "Se isso acontecer, em tese, a juíza emitirá uma sentença imprópria declarando Reolon inimputável (não pode sofrer sanção penal) e então ele seria encaminhado para tratamento psiquiátrico", conta Gilberto.
Nesta hipótese, Reolon ficaria internado em uma unidade de saúde mental do Estado, possivelmente no CMP, cumprindo medida de segurança. A justiça também deverá arbitrar uma data para realizar a primeira avaliação psiquiátrica para averiguar a cessação de periculosidade do acusado. Ou seja, se ele deixou de ser perigoso e pode voltar a conviver em sociedade. Depois de um determinado período, a junta médica pode, por exemplo, considerar que Reolon não representa mais perigo para a sociedade, sugerindo sua libertação para a Justiça.
Antigo manicômio
O Complexo Médico Penal do Paraná é um estabelecimento penal de regime fechado, destinado aos presos do sexo masculino e feminino, provisórios, condenados por medida de segurança ou que necessitam de tratamento psiquiátrico e ambulatorial. É o antigo Manicômio Judiciário, inaugurado em 31 de janeiro de 1969, com capacidade para 350 presos. "Familiares de presos que ficam neste local contam horrores e dizem que o regime de uma penitenciária comum é muito melhor", relata Gilberto, que já teve dois clientes internados no CMP.
Caminho inverso
O caminho inverso é que ele não seja atestado como insano e seus atos sejam julgados por um júri formado por sete pessoas da comunidade, que teriam poder absoluto de decidir pela condenação ou absolvição, mesmo sendo réu confesso. Se condenado, o advogado Gilberto explica que Reolon poderá pegar uma pena máxima de 30 anos, pelos três processos crimes que responde (a morte do pai, da família e da adolescente). O caso tem como promotor de acusação Fabrício Trevizan Almeida e juíza, a magistrada Juliana Velloso Stankevecz, que pretende marcar o júri popular para no máximo 30 dias depois do laudo ser encaminhado. "Como são três processos, acreditamos que a juíza deverá adotar a ordem cronológica, isto é, primeiro Reolon será julgado pela morte do pai. Cada processo terá um júri."(fonte Jornal de Beltrão)




