As botas dos samuzeiros Ronaldo Guzzo e Keli Paludo ficaram grossas de barro, da estrada de interior após a Vila Paraíso, no município de São João, quando estacionaram a ambulância do Samu 192, Base Descentralizada de Chopinzinho, e andaram mais uns dez minutos a pé até chegarem ao casebre onde se encontrava V.J.R, 56. O socorro foi acionado por colegas da fazenda onde ele mora, às 13h55 desta quinta-feira (23) porque Valdivino se sentia mal.

“Andamos por uns dez minutos morro abaixo, com barro cobrindo o pé. Achamos o paciente num casebre em situação precaríssima, num colchão no chão. Não tinha como descer com a viatura, por isso o prendemos a prancha e começamos a subir morro acima”, conta a técnica em enfermagem Keli Paludo, que tinham ainda a mochila de atendimento a tiracolo. Foi quando um trabalhador da fazenda se ofereceu para ajudar seu parceiro socorrista Ronaldo, e Keli carregou a mochila e tirou uma foto com seu celular. Quando alcançaram novamente a ambulância, por orientação do médico regulador do Samu 192, encaminharam o paciente à Policlínica Chopinzinho. Para fazer esse salvamento, Keli e Ronaldo fizeram 77 km, entre ida e volta, mais o trecho a pé, que fez a diferença para chegar ao senhor que passava mal. Como técnica em enfermagem há sete anos, Keli menciona as peripécias em ser samuzeira “Nunca tinha vivido uma situação parecida com essa. Coisa de pré-hospitalar, antes sempre pegávamos o paciente embaladinho”.