Na segunda fase da Operação Leite Compensado realizada ontem no Rio Grande do Sul por técnicos do Ministério da Agricultura, foram cumpridos mandados de busca e apreensão em Rondinha e Boa Vista do Buricá. O trabalho resultou na apreensão de quatro caminhões carregados com mais de 12 mil litros de leite e foram presos três acusados de adicionar água, ureia e formol no produto para aumentar o lucro.

De acordo com o promotor Mauro Rockenbach, o leite batizado era transportado pelos investigados até a Confepar, do Paraná. "Seguiam levando o leite gaúcho sabendo desde fevereiro que ele estava com restrição. O produto ia para Pato Branco", disse ao G1 o promotor no início da manhã de ontem.
Apenas na cidade de Rondinha, laudos produzidos entre fevereiro e março deste ano pelo Ministério da Agricultura, que participa da operação com a Promotoria gaúcha, confirmaram a presença de formol no leite cru, somando 113 mil litros impróprios para consumo da população.

A adulteração do leite é enquadrada como crime de falsificação, corrupção, adulteração ou alteração de produtos alimentícios, que prevê pena de quatro a oito anos de prisão.De acordo com a investigação, as transportadoras adulteraram pelo menos 120 mil litros de leite nas duas cidades nos últimos três meses. O MP ressalta que este volume foi apreendido e não chegou ao mercado. Na manhã de ontem, o leite, que estava em caminhões na transportadora, foi apreendido por técnicos do Ministério da Agricultura e será analisado. A previsão é que o resultado dos testes saia em até três dias.
Em Rondinha foram cumpridos três mandados de prisão e três de busca e apreensão. Um dos suspeitos, envolvido também no núcleo de Ibirubá, já estava preso. Entre os presos estão os irmãos Antenor Pedro Signor e Adelar Roque Signor, sócios de uma transportadora, e o motorista Odirlei Fogalli, que trabalhava com a dupla. Em Horizontina, um empresário e vereador foi preso na noite de terça-feira. A Promotoria diz ter indícios de que ele planejava deixar o país.

Inspeção
O médico veterinário Astral Francisco Bitencourt, chefe da Unidade Técnica Regional do Ministério de Agricultura, sediada em Pato Branco, informou ontem que agentes de inspeção acompanham nove indústrias de laticínios na região de forma temporária, e até agora não encontraram nenhuma irregularidade. Ele explicou que o leite recolhido dos produtores é automaticamente analisado nas indústrias para o controle de qualidade e combate a doenças, como brucelose e tuberculose, com a população de Pato Branco e região podendo ficar tranquila quanto à qualidade do produto.

Confepar esclarece
Em nota divulgada ontem, a direção da Confepar, sediada em Londrina, esclarece: A Confepar vem sendo citada em reportagens referentes à operação “Leite Compensado” desencadeada no Rio Grande do Sul, e tem a dizer que reitera seu repúdio às ações fraudulentas, como as citadas nas investigações do Ministério Público, e reafirma que sempre cumpriu com rigor seus procedimentos e controles internos de qualidade, dentro dos padrões da legislação vigente.

Atestando esta garantia, a Confepar conta com laboratório altamente tecnificado, que acompanha com análises criteriosas o produto, desde a entrada em nossa unidade, passando por todas as fases de industrialização, até o produto final. Ainda, para maior garantia, submetemos normal e frequentemente nossos produtos e matéria-prima a laboratórios externos, isentos de qualquer interesse, e credenciados pelo Ministério da Agricultura. O leite apreendido no Rio Grande do Sul, na operação Leite Compensado, continua sob a responsabilidade do Ministério da Agricultura, e nunca foi destinado para nossa unidade industrial de Londrina-PR.

A cooperativa esclarece que a Coopleite - Cooperativa Central de Captação de Leite, afiliada da Confepar e responsável pela captação de leite, no Rio Grande do Sul, recebeu o memorando do Ministério da Agricultura e, de imediato, intensificou as análises e controles do produto recebido com processos ainda mais criteriosos, que não apontaram nenhum problema ou irregularidade.

A Confepar tem total interesse no esclarecimento dos fatos e continua à disposição das autoridades para esclarecimentos necessários e assegura aos clientes e consumidores que os produtos podem ser consumidos com a mesma segurança que garantem  há mais de 30 anos.