Ontem, lideranças da região sudoeste do Paraná, assim como outras do país, participaram, na Câmara dos Deputados Federais, de audiência para debater assuntos relacionados à demarcação de terras indígenas e ações praticadas pela Fundação Nacional do Índio (Funai). A ministra-chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, a convite do deputado Luís Carlos Heinze (PP-RS), ouviu as principais reclamações e estudos feitos em todo o Brasil, bem como demandas dos agricultores.

De acordo com o presidente do Sindicato Rural de Pato Branco e da Associação dos Sindicatos Rurais do Sudoeste do Paraná (Assinepar), Oradi Francisco Caldato, em nenhum momento houve posição contra os índios e, sim, da forma como atua a Funai.

Segundo o presidente, por outro lado, a fundação realiza no país um trabalho que beneficia somente o índio e prejudica aqueles agricultores que há mais de 100 anos, por exemplo, produzem nas áreas. “Foi destacado a falta de responsabilidade do governo federal, pois o prazo para a demarcação de áreas de terras venceu o prazo em 1993. Isso gera muitos conflitos, e o principal problema na região é esta insegurança que os agricultores enfrentam”, disse.

Caldato fala também que a Frente Parlamentar de Agropecuária da Câmara organiza uma lista de assinaturas para instaurar uma comissão parlamentar de investigar possíveis irregularidades da Funai. “12,5% do território nacional está no controle dos indígenas. A meta é 25%. Com toda esta terra, ainda têm índios na miséria. Não é por falta de espaço. Os índios têm problemas de saúde e falta de atenção do governo federal”, ressaltou.

O vice-prefeito de Pato Branco, Ivo Polo, participou da audiência e faz uma avaliação positiva. “Ali têm coisas relapsas e erradas praticadas pela Funai. Precisamos de uma lei que beneficie a todos. E o governo federal fecha os olhos para isso”, observou.

Conforme Polo, a participação de representantes do Poder Executivo municipal é extremamente importante, pois notou que, durante a audiência, participaram várias autoridades da esfera e dos estados. “Sentimos aqui que as pessoas querem o bem do agronegócio, porque todas as camadas sociais sofrem com isso, afetando a economia dos municípios”, compreende.

Vinte e nove lideranças foram até Brasília. Todos devem retornar à região no final desta tarde.