Chopinzinho sedia, desde ontem, o 1º Encontro Estadual das Populações Atingidas por Barragens. O evento, que se estende até amanhã, é promovido pelo Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) e envolve, além de famílias atingidas, outros movimentos, como o MST, representantes de entidades cooperativistas, poder público e segmentos da sociedade. A principal finalidade é profundar a compreensão das tendências sobre os projetos em curso que visam a mercantilização e privatização da água e da energia nas diversas regiões do estado. Também está a intenção de fortalecer e ampliar a organização dos atingidos por barragens e mostrar o posicionamento contrário do movimento com relação à apropriação do capital sobre a água e a energia.
Um dos coordenadores estaduais do MAB, Robson Formica, relata que devem ser mapeadas, no Paraná, as famílias que serão atingidas pela construção de novas usinas hidrelétricas. O Estado tem capacidade para mais de 150. “Podem ser atingidas de 8 mil a 10 mil famílias, porque não existe hoje uma política que defina quais são os direitos dos atingidos. E também queremos pautar o modelo energético brasileiro e do Estado. Precisamos compreender como ele funciona”, enfatizou.
Segundo ele, o Paraná se tornou o maior produtor de energia do Brasil. “Se necessita dialogar sobre o resultado econômico dessa geração de energia, pois ela precisa ser revertida em benefício à sociedade toda e não apenas para alguns grupos econômicos”, destacou.
Formica falou que não se pode somente olhar para os problemas das famílias atingidas e, sim, daqueles que afetam a sociedade. “A energia é um debate necessário e fundamental para o desenvolvimento do país, e a comunidNa região, ele também enfatizou a questão das usinas São João e Cachoeirinha, entre Honório Serpa e Clevelândia, que está em processo de licenciamentos. “As condições oferecidas pelo grupo empreendedor são extremamente insatisfatórias e insuficientes para que as famílias continuem sobrevivendo como agricultores que vivem da terra”, explicou.
Hélio Mecca é um dos agricultores que integra o movimento estadual. Ele também foi atingido pela usina de Itá, em Santa Catarina. “Que a gente possa começar um processo de avaliação da nossa história de luta no estado e do momento que o Brasil vive para planejar os próximos passos do movimento”, disse.
Para o prefeito de Chopinzinho, Leomar Bolzani, o município apoia o evento, porque no município existem muitas famílias que participam do movimento. “É de suma importância a organização da sociedade na busca de seus direitos e na busca por aquilo que é o melhor para a comunidade como um todo e para cada família atingida por barragem”, falou.
As atividades tiveram início no Salão Paroquial São Francisco de Assis e, se as condições climáticas permitirem, outras vão ser desenvolvidas externamente até amanhã.ade não pode ser desconsiderada deste processo”, ressaltou.




