Depois de encontrados os restos mortais da jovem Daniela de Souza Pomagerski, de 22 anos, de Dois Vizinhos, que estava desaparecida há mais de 30 dias, o marido da vítima, Lourenço Prestes Hortiz, de 30 anos, confessou o crime à Polícia Civil e revelou como realizou o fato. Ele está preso na 60ª Delegacia Regional de Polícia e responderá pelo crime de ocultação de cadáver, além de ser indiciado por homicídio qualificado, crime que será confirmado somente após o resultado do laudo da perícia e dos exames da criminalística, que comprovarão se a ossada encontrada é mesmo de Daniela.
Os restos mortais foram encontrados enterrados em uma fossa desativada, em uma propriedade no Bairro das Torres. Ela estava desaparecida há quase 30 dias e o marido afirmava que a moça havia fugido com outro homem. O fato se desenrolou na manhã de quarta-feira, 20, após suspeitas de que Lourenço poderia mesmo ter assassinado sua mulher. A Polícia Civil decidiu vasculhar o local onde o casal vivia, em um terreno de aproximadamente 35 mil metros quadrados, localizado no Bairro das Torres, de propriedade do empresário Valdir Pagnoncelli, onde Lourenço trabalhava como zelador.
Conforme o delegado Francisco Robson Vidal Fonseca, na tarde de ontem, a mãe de Daniela, dona Nair Fátima de Mello, esteve no Instituto Médico Legal de Francisco Beltrão para ceder material biológico que será utilizado para fins de comparação com os restos mortais recolhidos.
Em entrevista ao repórter Gilberto de Zorzi, da Rádio Educadora AM, de Dois Vizinhos, o criminoso Lourenço Prestes Hortiz revelou como era seu relacionamento com Daniela e o que o levou a cometer o crime. Com muita frieza e sem demonstrar qualquer arrependimento pelo que fez, Lourenço confessou o assassinato e disse que agora vai aguardar a decisão da justiça. Confirma a entrevista na íntegra:
Repórter Gilberto de Zorzi: Como foi essa história?
Lourenço Prestes Hortiz: Fazia quatro anos que estávamos juntos, havíamos nos separado uma vez e voltamos a morar juntos. Ela estava trabalhando dentro de um bar de mulher, e eu voltei e tirei ela lá de dentro e continuamos vivendo a vida, né? Daí depois do momento que ela começou a trabalhar e ela começou a chegar reinando em casa e falando as coisas e dizendo que eu estava saindo pra rua, e em vez disso quando eu saia trabalhar ela era que ia pra rua. Ela vinha me ameaçando de morte, falando que ia mandar me matar, pulou contra mim com uma faca e acabou cortando os meus dedos. Daí no outro dia, saí para trabalhar e não consegui por causa da mão, então cheguei em casa e ela já estava meio tomada, e acabamos se discutindo e ela me pulou de novo e eu acabei matando ela.
Gilberto: Como é que você fez para matá-la?
Lourenço: Matei enforcada.
Gilberto: Com o que?
Lourenço: Com um cadarço de tênis.
Gilberto: A criança, o filho dela de seis anos, chegou a presenciar este fato?
Lourenço: Não senhor.
Gilberto: E quando você levou a criança na casa dos familiares? Foi na segunda-feira, ou ainda no domingo?
Lourenço: Foi no domingo, senhor!
Gilberto: Então você já havia premeditado que poderia acontecer este fato?
Lourenço: Sim, por causa das discussões e eu até falava que nós não podíamos ficar se discutindo na frente dele, porque ele ficaria traumatizado, e o senhor mesmo conheceu ele, coisa mais linda do mundo, né? E daí ela vinha me provocando, me ameaçando e falando que iria mandar os outros me matar, daí eu fiquei meio assim, meio pensativo, e havia dias aquilo ali, e eu fui colocando na cabeça, me senti ameaçado e por isso que eu matei ela.
Gilberto: E por que você escondeu o corpo?
Lourenço: Porque sim, porque eu quis.
Gilberto: Você se arrepende do que fez?
Lourenço: Não senhor.
Gilberto: O que deu para presenciar no local é que somente foi encontrada a ossada dela, ou seja, se decompôs a maior parte do corpo. Você usou algum produto químico ou algo assim?
Lourenço: Não senhor. Eu juro pela alma dos meus dois filhos, que moram em Cascavel, que não coloquei nada no corpo, só arrastei ela de dentro da casa e joguei dentro da fossa.
Gilberto: E isso foi no mesmo dia?
Lourenço: Foi no mesmo dia, só na boca da noite.
Gilberto: E agora você responderá pelos crimes de ocultação de cadáver e homicídio qualificado. E aí?
Lourenço: Vou pagar, né? Vou esperar o que o juiz decidir e vou pagar.
Gilberto: Uma vez que você escondeu o cadáver do lado da residência, dentro de uma fossa desativada, você em momento algum pensou em fugir?
Lourenço: Não senhor, eu respondia a qualquer pergunta se fosse preciso.
Gilberto: Mas por que você sempre negava para a vizinhança quando alguém perguntava a respeito dela?
Lourenço: Porque até que a polícia não achasse, eu não iria confessar o crime.




